Fabiana Zanni, do Google: tecnologia, entrada e facilidade de investimento permitem tapulhar assuntos antes não abordados (Leandro Fonseca/Examinação)
O Google teve papel fundamental nas mudanças do jornalismo e da prelo nas últimas duas décadas. A empresa facilitou pesquisa de informações, procura por notícias, hospedou vídeos e teor no YouTube e alterou a dinâmica publicitária, ao se tornar uma das maiores empresas no mercado de mídia do dedo.
Agora, em meio a um pujante mercado de startups no Brasil, o Google tem buscado fomentar essa indústria. A empresa anunciou no ano pretérito um projeto de aceleração que selecionou 10 empresas, entre 200 escritas, para fazer secção do Google News Initiative Startup Lab. A demanda foi tão grande no mercado, que o grupo, coordenado por Fabiana Zanni, continua produzindo material e irá publicar a tradução de um playbook para startups da espaço na terça-feira, 17.
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O momento é propício: o Brasil vê um boom de investimentos em startups e um interesse de investidores na região. No início do mês, o Softbank anunciou três investimentos no Brasil, num totalidade de quase R$ 1 bilhão, nas companhias Único, Omie e Avenue. Geralmente, os modelos de negócios buscam solucionar problemas mais abrangentes, com possibilidade de escalar negócios a centenas de milhares de pessoas. Para Zanni, nas startups de jornalismo a privilégio é dissemelhante, ainda que guarde semelhanças e tenha suas próprias oportunidades, de geração de teor, comunidade e impacto social.
Em entrevista à EXAME, Zanni falou do mercado de startups de jornalismo, porquê foi o processo de aceleração das selecionadas no Brasil, porquê essas empresas têm desenvolvido e o que esperar delas para o horizonte da informação.
Porquê foi o processo de aceleração das startups de jornalismo junto ao Google?
Foi uma experiência muito rica. O Google tem o Google for Startups, que é uma secção focada na aceleração e pedestal a empreendedores de uma forma universal. Quando começamos a falar sobre o programa de startups para jornalistas, não por eventualidade falamos com elas para entender o que é esse ecossistema de startups, e constatamos que tinham questões muito particulares no jornalismo que precisavam de programa específico.
Testamos uma série de conceitos e mesmo quando fomos implementar o projeto nos vimos “pivotando” o projeto para ajustar uma oferta mais adequada para as startups que estávamos recebendo. Foi muito importante o compromisso de quem está pensando a empresa. Foi um projeto que rodou virtualmente ao longo de 20 semanas, tivemos comparência e dedicação das 10 startups participantes de forma muito intensa.
Também entendemos porquê era importante ter uma visão clara do que eram os negócios e olhar essas iniciativas de forma mais completa. O perfil do empreendedor no jornalismo passa muito pelo jornalista. Geralmente, são jornalistas que se juntam com outros jornalistas para formar uma empresa. Uma das coisas que ficou muito clara é porquê é importante trazer habilidades que extrapolem as que existem na redação, para imaginar e se conferir que a empresa esteja pronta para os desafios do mercado. Não só desenvolver essas habilidades, mas trazer para perto, sejam sócios ou membros da equipe, e nós vimos isso, ao longo da aceleração, acontecendo de várias formas.
Vimos porquê era importante desenvolver no grupo a consciência do que é um resultado. Uma coisa é qualidade de texto, compromisso com audiência, mas porquê se relacionar com essa audiência, do ponto de vista de resultado, e porquê desenvolver padrão de negócio também é um processo que foi muito interessante de trazer para esse programa.
Esse é um setor pujante, com projetos crescendo em diversas regiões do país?
No processo de seleção, tivemos uma visão da pluralidade e da multiplicidade de startups de jornalismo que temos hoje no mercado. Selecionamos 10 participantes em meio a centenas de candidatos. Isso nos deu uma visão muito interessante da quantidade de pessoas, jornalistas, iniciando seus próprios negócios e criando propostas de empresas, de teor, de endereçamentos a públicos específicos muito diversos ao volta do Brasil.
Tivemos candidaturas de todas regiões brasileiras, com a proposta de tapulhar assuntos em verticais que iam do agronegócio, a questões que passam por raça, comunidades específicas ou faixas etárias muito diversas. Isso tudo foi interessante de ver. Sendo um programa e um laboratório tão focado e aprofundado, não conseguimos trabalhar com um grande número de empresas, porque a proposta é tocar no cerne.
Nesse sentido a tradução do playbook vem porquê porquê uma maneira de trazer informação para as empresas nascentes no setor?
Acreditamos que é um material que pode ser muito rico, mormente diante da constatação de que não se tem programas específicos de aceleração e programas de startups focados no jornalismo. Não é fácil encontrar literatura e referências consolidadas em um endereço só, em uma proposta só.
A teoria é que consigamos organizar. É um óptimo ponto de partida para empreendedores na extensão. Citamos uma série de experiências que aconteceram ao volta do mundo, de empreendedores e empresas que estão interessadas em fazer empresas de jornalismo podem saber, porquê tem também instituições focadas nisso.
Acaba sendo também uma grande manadeira de contatos e de dicas de onde buscar mais informação. É um ecossistema com muita mobilidade, muita coisa novidade acontecendo. É um ponto de partida para acessar acessar uma série de referências, instituições que podem ser muito úteis.
Vemos um grande momento das startups no Brasil, mormente nos setores de finanças, logística, e-commerce, que geralmente têm um público muito grande e um tipo de gargalo específico. Porquê as startups de jornalismo e de mídia estão inseridas nesse contexto? Há uma maior demanda por produtos e informação do que havia antes?
Demanda sempre existiu, mas era difícil identificar nichos de audiência e oferecer alguma coisa personalizado para esse grupo de pessoas, que estavam interessadas em ter informação mais direcionada para elas ou seus interesses. Muito porque antes de termos entrada a uma série de ferramentas, que vêm com a tecnologia, era muito custoso empreender no setor de notícias.
O investimento era muito grande e para tornar o empreendimento viável era preciso falar com muita gente e aí já era informação de tamanho. Com a tecnologia, é provável, primeiro, identificar necessidades, que sempre estiveram aí, de grupos específicos e também quem são essas pessoas, entender melhor, fazer testes mais objetivos para oferecer teor e essa troca acaba sendo muito mais produtiva. Isso é um concepção que vem da geração de uma startup: identificar um problema na sociedade ou no mercado e atender.
O problema hoje é informação de qualidade que chegue para atender necessidades específicas. Existe informação de qualidade, evidente, mas com públicos específicos. Muitas vezes esses públicos não estão atendidos. Só aí já se tem um concepção inerente do que é fabricar um resultado para uma startup. Quando falamos de informação tem certos limites para escalar, não estamos falando de atingir bilhões de pessoas, da forma porquê é escalável um outro tipo de resultado.
Fazemos essa adaptação para crescer pensando em canais, formatos, maximizar alcance de público nos vários momentos da vida dessas pessoas, de formas diferentes, de consonância com a plataforma em que ela está. Não estamos falando que informação tem a possibilidade de amplificação porquê outros tipos de produtos, mas, sim, achamos que trabalhando canais e formas de distribuição é provável amplificar e ter concepção de escalar aplicado ao resultado que é feito.
Existe uma espécie de projéctil de prata no padrão de rentabilização dessas startups, o ideal é um padrão mais focado em assinaturas ou publicidade, por exemplo?
Uma das coisas que vimos no Startup Lab, muito pela flutuação das startups que estavam participando é exatamente a inexistência do “one size fits all”. Cada negócio tem suas possibilidades do ponto de vista de padrão de negócios. Alguma coisa que incentivamos muito ao longo do processo de aceleração foi o teste desses modelos: quais são as possibilidades, o que faz sentido para a startup e de que forma se relaciona com seu público.
Vou te dar um exemplo, em alguns casos fala-se de publicidade, em outros de patrocínio, mas há casos muito muito sucedidos em que o padrão de taxa, de doação de pessoas físicas, acabou sendo uma das opções adotadas de uma forma muito sucedida pela startup. Em alguns casos há investimento de empresas, corporações.
O terceiro setor e algumas fundações têm muito interesse em fazer investimentos nessa dimensão, porquê o [Instituto] Serrapilheira, por exemplo, que apoiou duas das nossas startups, uma delas que já vinha com aporte deles. Em outros casos, trata-se de desenvolver grandes fontes de alimento do negócio de tratado com a sua proposta. Uma das coisas que ficou muito evidente ao longo do processo para as startups é porquê isso está ligado à forma de relacionamento com o público que se está conversando.
No caso das doações é muito evidente isso. Tínhamos uma startup que não tinha um ducto crédulo de doações no YouTube, abriu esse meato e foi testando e acabou vendo nisso uma manadeira de receita interessante. Outras não consideravam publicidade e fazendo testes acabaram trazendo isso. Com assinaturas, a mesma coisa. Tentamos trazer exemplos, não só no Brasil, mas porquê fontes de receitas funcionavam, para que, ao montar seu padrão de negócio cada um dos acelerados, considerassem as possiblidades e montassem a sua constituição.
Não quer manifestar que haverá uma manancial de receita. O importante é encontrar esses modelos e saber usar. O padrão de negócio é igual ao resultado, escolhe, começa a operar mas se não fizer ajustes sutis ao longo conforme vai evoluindo e crescendo o risco é grande de errar a mão. É uma tensão estável.
Essa relação de diálogo com o público toma qual dimensão nessas startups? Porquê ajudá-las a mourejar com essa demanda e expectativa?
Um dos recursos a disposição dos jornalistas e empreendedores em universal são os dados gerados por essa conversa que existe no meio do dedo. Tem uma série de informações que vêm do simples fluxo de visitante, em sites e apps, mas também redes sociais, e essas informações dizem muita coisa. Hoje é simples fazer um teste AB, testes muito rápidos e econômicos, que vão tirar dúvidas sobre o que é melhor oferecer, sobre o que as pessoas estão recebendo de oferta e resultado.
Isso traz recursos que são muito valiosos e aí entra uma coisa que jornalistas sabem fazer muito muito e poderiam empregar quando gerem empresas, que é fazer perguntas. Sobre sua própria empresa, sobre o seu negócio e o que se quer produzir é um pouco que poderia ser mais exercitada quando se está empreendendo. Principalmente porque é provável receber essas respostas, elas vêm dos testes, dos dados coletados.
Ter aproximação ao demográfico, idade, frequência, o que veem fora do seu conduto, trouxe já alguns subsídios para entender qual é o perfil e o que se pode oferecer, qual a periodicidade, que tamanho um vídeo pode ter. Isso faz muito diferença na quantidade de pessoas que vão presenciar, se elas vão chegar ao final do teor, se vão sentir falta do teor.
A facilidade de aproximação, testes e concepção de produtos ajuda a fabricar uma comunidade em torno do teor e do negócio?
Algumas já vinham com essa visão de comunidade muito poderoso, outras viram oportunidade de fortalecer a comunidade que é gerada em volta. Isso é muito importante, principalmente quando falamos de crédito no que se está produzindo, na sensação de estar sendo ouvido, de estar do lado da audiência e do público.
A formação de comunidade tem a possibilidade de adequar para o perfil que se está atendendo, refinar pautas para atender as demandas de informação que foram identificadas e também pensar o padrão de negócios, principalmente quando se fala da risco de receita que são geradas pela audiência, que essencialmente passam por assinaturas e doações, isso vem da constatação pela audiência de que se está prestando um serviço importante, não só para ela, mas para a sociedade. As pessoas acreditarem no trabalho é secção da formação de comunidade.
Os investidores têm essa percepção de que essas empresas prestam um serviço importante à sociedade? Porquê são os investimentos no mercado de venture capital nas startups de mídia?
Com certeza. Tem um valor muito grande na valimento de produção de teor de qualidade, confiável. Existem perfis diferentes de investidores para segmentos específicos. Quando olhamos para esse segmento vemos a influência do negocio em si, mas secção da oferta é o valor que está sendo oferecendo à sociedade ao produzir um teor de qualidade, que gere crédito.
O que vemos é um terreno muito fértil para o promanação de novas empresas. O ecossistema de jornalismo está passando por mudanças muito profundas e o envolvente de mudanças acaba trazendo muita oportunidade: novas empresas, vozes, novas formas de olhar o jornalismo, se estabelecerem e prosperarem. O setor inteiro está se transformando, logo é originário que vejamos cada vez mais novos produtos, novas startups aparecendo.




